novembro 27, 2007

OROLOGION


Movimento Ascendente por Frederico Fonseca

Quando me carregaste às costas
Na distância entre dois pontos
Atingimos o céu num voo noctívago
Depois crescemos
Diurnos divinos fumando cálculos
A ignorar constantemente
A evidente criança
Que começou na inconstância rectilínea
Que vai de nós para os outros

Mário Lisboa Duarte

(SUB) MISSÃO

Bato na tecla
Ao ritmo de uma imagem por carácter
No passo ora trôpego, ora bruto
Em busca do trauma original
Curvo-me pescando e repuxando
A memória
Atemorizado pela sucessão
De recordações (minhas?)
Que se atiram sobre o abismo
Involuntariamente

Mário Lisboa Duarte

Pintura Rupestre por Frederico Fonseca

novembro 14, 2007

A GRANDE CAVALGADA



Natureza viva por Frederico Fonseca

Na minha cidade
Já não se beija com os olhos
E anda tudo cego
Num frémito rectilíneo

Mário Lisboa Duarte

novembro 07, 2007


Lista de autores Big Ode #3
Alexandra de Pinho, Ana Marin, Ana Marques Silva, Ângelo Mazzuchelli, António Carvalho, Avelino Araújo, Carolina Vasconcelos, Castorp+Alice, César Figueiredo, Clemente Padín, Constança de Almeida Lucas, Fernando Aguiar, Fernando Esteves Pinto, Francisco Carrola, Gonçalo Cabaça, Henrique Fialho, Hilda Paz, Hugo Pontes, João Concha, João Pereira de Matos, José Carreiro, Klaus Peter Denker, Luis Ene, Margarida Chambel+Catarina Pombo Nabais, Mário Lisboa Duarte e Frederico Fonseca(Margem d'arte), Mário Calado Pedro, Miguel Clara Vasconcelos, Miguel Jimenez, Mrmito, Maria João Lopes Fernandes, MariaJLFernandes+Alexandre Nave, Raquel Coelho, Rodrigo Miragaia, Rui Costa, Rute Mota, Sara Franco, Sara Monteiro, Sara Rocio, Sofia Cavalheiro, Virgílio Vieira Tebas, Vitor Vicente.

O ELOGIO DA MÁSCARA

Eis como com o gume bem afiado
Faço de ti um cadáver esquisito
Desfazendo-te alma e corpo
Nos pedaços do corpo (morto)
Componho um tratado
Anatomopoéticosexual
Na alma toda (ainda quente)
Busco a Imagem
Que lá tens de mim
E mando-a emoldurar

Mário Lisboa Duarte


Escultura poética por Alexandra de Pinho

Sapateiro

Expressão visual por Frederico Fonseca

do lado de dentro é escuro
não passes, não quero assustar-te,
e o barulho do martelo sobre a pele
já morta
a moldar o lugar dos ossos
à ferramenta de caminhar.

do lado de dentro é escuro
e quem mais poderia assim viver
sem deixar que o peso do martelo caia
inteiro
fragmentando o que era pensamento
ao jeito de encaixar no mundo.

novembro 03, 2007