outubro 09, 2007
setembro 21, 2007
CHUVA UBÍQUA
movimento por margem d'arte
Há uma nação de poetas
Do outro lado do mar
Escrevem com a fome na pedra
Que lhes alimenta a alma
Sentindo nos sonhos mais febris
O sabor do açafrão no sangue
E a vida que há de não vir
No chá de bílis vestido a rigor
Há uma nação de poetas
Do outro lado do mundo
Esculpem a palavra madre-pérola
Que lhes dá o brilho baço nos olhos
Rasgando a carne e o pó com as unhas
Gastas de raspar na pedra seca
E o mar que há de ir rugir
Para o outro lado
Líricos?
Somos todos.
Mário Lisboa Duarte
setembro 06, 2007
RESQUÍCIOS DE NOITE MARGINAL
Mário Lisboa Duarte em plena Ode Triunfal, com o som da maquinaria trabalhado por todos os presentes

Luís Filipe Cristóvão, novo tentáculo marginal

Pedro Lopes (Poesia para Ninguém) na irrepreensível leitura de O'Neill

Gonçalo Veiga ao Estilo de Bukowski

Sara. O nosso obrigado pelo momento ao piano (dizem que é uma espécie de...)

expressões visuais por Frederico Fonseca

Luís Filipe Cristóvão, novo tentáculo marginal

Pedro Lopes (Poesia para Ninguém) na irrepreensível leitura de O'Neill

Gonçalo Veiga ao Estilo de Bukowski

Sara. O nosso obrigado pelo momento ao piano (dizem que é uma espécie de...)

expressões visuais por Frederico Fonseca
Interlúdio

Poesia para Ninguém

Luís Filipe Cristóvão

Pedro Lopes

Em memória de Ricardo Reis

expressões visuais por Frederico Fonseca

Poesia para Ninguém

Luís Filipe Cristóvão

Pedro Lopes

Em memória de Ricardo Reis

expressões visuais por Frederico Fonseca
setembro 04, 2007
ANIMATÓGRAFO
A sala escura
(como desenhar um verso com o largo de uma sala escura?)
e alguém do meu lado suspira profundamente
de maneira a fazer-te a ti, leitor, ouvir o som dessa respiração.
A sala (mais uma vez)
mulheres aos gritinhos nas filas laterais
o forte som da locomotiva no meu coração enfartado
os olhos muito abertos de uma criança que funga do nariz.
A sala (imagina também um ponto final na parede)
uma pequena tela ao fundo, presa na parede
o mundo inteiro possível de acontecer numa ninharia
as pessoas que saem e eu, ainda, dentro da minha cabeça.
(como desenhar um verso com o largo de uma sala escura?)
e alguém do meu lado suspira profundamente
de maneira a fazer-te a ti, leitor, ouvir o som dessa respiração.
A sala (mais uma vez)
mulheres aos gritinhos nas filas laterais
o forte som da locomotiva no meu coração enfartado
os olhos muito abertos de uma criança que funga do nariz.
A sala (imagina também um ponto final na parede)
uma pequena tela ao fundo, presa na parede
o mundo inteiro possível de acontecer numa ninharia
as pessoas que saem e eu, ainda, dentro da minha cabeça.
setembro 03, 2007
O BICHO-RELÓGIO
Peguei no bicho-relógio
Provocando-lhe um aborto
(Parti-o ao meio)
Recordo que à data se preparava
Para sair prematura
A hora certa
Depois, parti
Em busca das várias partes
E montei uma máquina do tempo
Que em vez de funcionar
Acabou por emprenhar
Era eu
Fénix renascida
Com 2 ponteiros no ventre
Mário Lisboa Duarte

expressão visual por Raquel Sousa
Provocando-lhe um aborto
(Parti-o ao meio)
Recordo que à data se preparava
Para sair prematura
A hora certa
Depois, parti
Em busca das várias partes
E montei uma máquina do tempo
Que em vez de funcionar
Acabou por emprenhar
Era eu
Fénix renascida
Com 2 ponteiros no ventre
Mário Lisboa Duarte

expressão visual por Raquel Sousa
agosto 24, 2007
MARGINÁLIA - ANOTAÇÕES 2006/2007


Caríssimos (as),
Sob o pretexto de um primeiro aniversário, o grupo de expressão artística
Margem d'Arte decidiu reunir uma data de amigos, na esperança de
proporcionar a todos os presentes um agradável serão.
O evento irá realizar-se no próximo dia 31 de Agosto, pela uma da madrugada,
no Manel Bar, em Santa Cruz, Torres Vedras (A8, no sentido Lisboa/Leiria -
saída Torres Vedras Norte).
No mesmo serão servidas leituras de poesia marginal acompanhadas por uma
exposição de expressões visuais estendalizadas.
Desde já agradecemos a vossa confirmação, bem como a vossa presença
gratificante.
Dúvidas e afins, nos contactos que em baixo se seguem.
margemdarte@hotmail.com
916269885
Cordialmente
Margem d' Arte
www.margemdarte.blogspot.com
agosto 13, 2007
ERA
julho 29, 2007
VELHA NOVA TRISTEZA

expressão visual por Frederico Fonseca
Nas sombras
Sempre na sombras
Onde se guardam as horas
E se aguardam as memórias
Na cidade que falece
Corpo semiaberto
Na esperança de um colosso
À porta entreaberta
Sonha-se essência
Nos limites do silêncio
Seres que se fazem cegos
Na angústia da vastidão
Aí, o que nos precede
O que nos ultrapassa
Fará parte do processo
O que é nem uma coisa nem outra
É terra de ninguém
Mário Lisboa Duarte
devaneios musicais por Mesnitu, na esperança de que o fruto de um reencontro possa gerar muitos outros. Na confluência. Sempre na confluência.
julho 12, 2007
BICEFALIA
junho 28, 2007
TORMENTO

expressão visual por Frederico Fonseca
Atormenta-te o temor
Desse tumor que é o tempo
Esta teia que te tece
Até no túmulo tombares.
Tu e todos os teus eus.
Mário Lisboa Duarte
in poezine Debaixo do bulcão nº 30
junho 18, 2007
CAIS
Oh Leonor
Se sonhasses a falta que me faz teu ser poema
Perfume fresca flor em ode pura
Sorriso embriagado em canção
Fontes pretexto devaneio sem fim
Ignorância feliz coroa de lírios colhidos
Na margem do rio que te lava a essência
Mas Leonor
Somos o que somos
A urgência do minuto
Está na hora
A noite é curta
Volta para casa Leonor
Deita-te junto a mim
Agora
Não te prometo promontório
Quanto muito ancoradouro.
Mário Lisboa Duarte

expressão visual por Frederico Fonseca
Se sonhasses a falta que me faz teu ser poema
Perfume fresca flor em ode pura
Sorriso embriagado em canção
Fontes pretexto devaneio sem fim
Ignorância feliz coroa de lírios colhidos
Na margem do rio que te lava a essência
Mas Leonor
Somos o que somos
A urgência do minuto
Está na hora
A noite é curta
Volta para casa Leonor
Deita-te junto a mim
Agora
Não te prometo promontório
Quanto muito ancoradouro.
Mário Lisboa Duarte

expressão visual por Frederico Fonseca
junho 06, 2007
ÂNSIA

expressão visual por Frederico Fonseca
- Ânsia -
Não de um amanhecer que te traga
Os primeiros raios de luz.
Com estes vêm os primeiros filhos da puta
Que te repisam e te aleijam
Que se torcem e bracejam
Como se tudo não passasse
De uma matança premeditada.
(E os super-primatas que cospem no chão,
Que batem punhetas e te apertam a mão)
- Ânsia –
Não de um anoitecer que te traga
Os primeiros lastros de lua.
Com estes vêm os últimos filhos da puta
Que te consomem e te regurgitam
Com os seus olhos atordoados
Por mais de mil fármacos mensais.
No meio fica a ânsia de tudo o resto
Que não consegui nomear.
Por vezes, torna-se ânsia
De nem sequer acordar.
Mário Lisboa Duarte
junho 05, 2007
O MICRÓBIO
Novo espaço de tertúlia bastante prometedor.
nocivo
corrosivo
incisivo
Aceitam-se novos membros com vontade suficiente de contaminar, usando a palavra, a imagem e afins.
www.microbiomegalomano.blogspot.com

expressão visual por Frederico Fonseca
nocivo
corrosivo
incisivo
Aceitam-se novos membros com vontade suficiente de contaminar, usando a palavra, a imagem e afins.
www.microbiomegalomano.blogspot.com

expressão visual por Frederico Fonseca
maio 13, 2007
FUNDIÇÃO (A) FUNDA-SE
SENHORA DA CAFETARIA
Nesse teu tossir doentio
Em que a morte marca o passo,
Olhos pesados, coração sombrio,
Rugas de dor, sofrimento, cansaço.
Por detrás de inúmeras teias,
Prisão perpétua, castelo
De grandes portões, de altas ameias.
Em volta, jardim pouco belo.
Ah! Como eu te entendo,
Senhora da cafetaria,
Trabalhando toda uma vida
Para o pão de cada dia.
Mário Lisboa Duarte
.JPG)
expressão visual por Frederico Fonseca
Em que a morte marca o passo,
Olhos pesados, coração sombrio,
Rugas de dor, sofrimento, cansaço.
Por detrás de inúmeras teias,
Prisão perpétua, castelo
De grandes portões, de altas ameias.
Em volta, jardim pouco belo.
Ah! Como eu te entendo,
Senhora da cafetaria,
Trabalhando toda uma vida
Para o pão de cada dia.
Mário Lisboa Duarte
expressão visual por Frederico Fonseca
abril 11, 2007
ORIGEM,PERCURSO,DESTINO



expressões visuais por Frederico Fonseca
O universo a nascer
E a casa-mãe a parir,
Desafiando as barreiras
Da medicina-materno-fetal.
A gente diz que não,
Que não quer que assim seja,
Que a pedra prodígio pode
Sair de cesariana e tal,
Mas o que é que a gente faz
Se já se sente à nossa frente
O buraco outrora virginal!
Pedra após pedra ante pedra,
Parece que a vida sempre perece,
No puxar do cordão umbilical:
O mundo etéreo em exposição
No mercado da imundície, tal e qual;
Afinal, somos todos almas clonadas,
A rezar simetricametricamente
No altar do tempo universal.
Mário Lisboa Duarte
abril 07, 2007
A PESCARIA
Numa destas madrugadas
Pego no coração
Atando-lhe o cordão universal
Para que possa servir de isco
E vou à pesca de ideais.
(Assim sempre posso dizer ao mundo
Que vivo numa espécie de auto-sustento)
Depois, vou vendê-los à praça
Como faria qualquer bom rei pescador.
Mário Lisboa Duarte

expressão visual por Frederico Fonseca
Pego no coração
Atando-lhe o cordão universal
Para que possa servir de isco
E vou à pesca de ideais.
(Assim sempre posso dizer ao mundo
Que vivo numa espécie de auto-sustento)
Depois, vou vendê-los à praça
Como faria qualquer bom rei pescador.
Mário Lisboa Duarte

expressão visual por Frederico Fonseca
março 19, 2007
PALHA

expressão visual por Frederico Fonseca
Ouve lá, pá!
Tu não sabes
Ou não queres saber,
Que a palha não é só p'ra comer!
Também serve p'ra ler,
Ver, ouvir, degustar,
Curtir e saborear,
Injectar, reflectir e correr!
Ouve lá, pá!
Tu pára e pensa lá
Para que serve a palha, afinal!
A todo o instante, pá
Sem excepção
Somos bombardeados com palha.
Mas presta bem atenção,
Pois a palha não é só palha.
Olha a palha na mortalha
P'ra enrolar e queimar!
Os rabos empalhados
Em corpos de palha,
Os banhos tomados
Neste imenso mar de palha.
Isto a vida é só palha, pá!
Não há mais nada que nos valha, pá!
Viva a palha!
Viva, pá!
Sempre palha a toda a hora!
Queremos palha sem demora!
O mundo é um asno esfomeado!
E o menino, na palha deitado, pá!
E o mundo é um eterno curral!
E o mergulho final
Na palha universal, pá!
Palha pá! Só palha pá!
Sempre a entrar palha!
Sempre a sair palha!
Viver sem palha
É uma enorme palhaçada, pá!
O palhaço come palha
E a vida é circo,
E o circo é palha, pá!
Os grandes a fazer palha,
Os pequenos a comer palha!
Todos a ruminar palha,
E os mortos empalhados, pá!
Uma vida sem palha,
Nem é palha nem é nada, pá!
Até o Nada é palha, pá!
Se um pobre te pede esmola,
Dá-lhe palha, pá!
A História é palha!
Deus é palha!
As grandes teorias, tudo palha, pá!
A Carne é palha!
O Verbo é palha!
A palha é o sustento
De toda a cadeia alimentar,
O combustível do porvir!
Viva a palha nas eiras
A transbordar! Viva!
Viva a palha na TV,
Na rádio, na rede, no CCB!
A grande falha
É faltar a palha!
É que a palha é a Mãe!
Palha é Vida,
Palha é ouro, pá!
E nem tudo o que luz é palha!
É a grande revolta da palha
E tu queres largar fogo à palha
Pá! Não vás para lá!
Mastiga a palha!
Morde a palha,
Consome a palha, pá!
Por isso, ouve lá, pá!
Pede palha e pede já!
Não tens que ter receio!
Pois há palha com fartura
Que chegue p'ra toda a gente!
E sempre que olhares
P'ró horizonte infinito
A palha estará sempre presente,
P'ra te iluminar,
P'ra te aconchegar,
P'ra te alimentar, pá!
Viva a palha! Viva!
Agora,
Papa a palha toda, vá!
Mário Lisboa Duarte
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