expressão visual por Frederico Fonseca - Ânsia -
Não de um amanhecer que te traga
Os primeiros raios de luz.
Com estes vêm os primeiros filhos da puta
Que te repisam e te aleijam
Que se torcem e bracejam
Como se tudo não passasse
De uma matança premeditada.
(E os super-primatas que cospem no chão,
Que batem punhetas e te apertam a mão)
- Ânsia –
Não de um anoitecer que te traga
Os primeiros lastros de lua.
Com estes vêm os últimos filhos da puta
Que te consomem e te regurgitam
Com os seus olhos atordoados
Por mais de mil fármacos mensais.
No meio fica a ânsia de tudo o resto
Que não consegui nomear.
Por vezes, torna-se ânsia
De nem sequer acordar.
Mário Lisboa Duarte