fevereiro 29, 2008

Insanotopia

Um novo espaço, a não perder.

Insanotopia, por Daniel Sousa

fevereiro 25, 2008

DAS IMAGENS PREMATURAS



Emprenhei a minha musa
De imagens trigémeas
Coladas com a cera
Dos ouvidos de um penitente:
- Um pássaro desasado
Emaranhando-se nos cabelos
De uma floresta virgem –
- Um cavalo tecendo
Novelos de crina
No riacho de um regaço –
- Uma hiena fumando
Cachimbo e rindo entredentes
Nos gritos de uma selva diurna –
As três corroendo-lhe o ventre
Na urgência da luz prematura

Assim se vão esvaindo entrepernas
Todas as musas que me abrigam:
Em poças de líquido semiótico
Destes textos pretextos
Não mais que meras
marquesas abortadeiras

Palavroclastia por Mário Lisboa Duarte


Imagens prematuras por Frederico Fonseca

janeiro 26, 2008

SANITORIUM


Pintura por Frederico Fonseca

Imaginem o que escrevo
Como sempre comparável
A uma sanita alemã último modelo
Com a pequena base de loiça
A servir de praia à beira-mar
(Em tudo diferentes do modelo americano
Com grandes lagos e nada de praias)
De modo a poder contemplar
A minha própria merda
Antes que se parta
Com as ondas

Mário Lisboa Duarte

dezembro 17, 2007

TRATADO DOS 5 ELEMENTOS

Mergulho a terra
Celebrando o eterno enterro
Dos pássaros de fogo
Que trago no peito
Remexo o mar
Na urgência das palavras
Rebuscando a terra terna
Do rio que guardas no ventre

Mário Lisboa Duarte



Alexandra de Pinho -Omphaloskepsis V
Tecidos, desenhos e resina de poliéster 55x40 cm

dezembro 13, 2007

POESIA DA ÍRIS



Margem d'Arte

novembro 27, 2007

OROLOGION


Movimento Ascendente por Frederico Fonseca

Quando me carregaste às costas
Na distância entre dois pontos
Atingimos o céu num voo noctívago
Depois crescemos
Diurnos divinos fumando cálculos
A ignorar constantemente
A evidente criança
Que começou na inconstância rectilínea
Que vai de nós para os outros

Mário Lisboa Duarte

(SUB) MISSÃO

Bato na tecla
Ao ritmo de uma imagem por carácter
No passo ora trôpego, ora bruto
Em busca do trauma original
Curvo-me pescando e repuxando
A memória
Atemorizado pela sucessão
De recordações (minhas?)
Que se atiram sobre o abismo
Involuntariamente

Mário Lisboa Duarte

Pintura Rupestre por Frederico Fonseca

novembro 14, 2007

A GRANDE CAVALGADA



Natureza viva por Frederico Fonseca

Na minha cidade
Já não se beija com os olhos
E anda tudo cego
Num frémito rectilíneo

Mário Lisboa Duarte

novembro 07, 2007


Lista de autores Big Ode #3
Alexandra de Pinho, Ana Marin, Ana Marques Silva, Ângelo Mazzuchelli, António Carvalho, Avelino Araújo, Carolina Vasconcelos, Castorp+Alice, César Figueiredo, Clemente Padín, Constança de Almeida Lucas, Fernando Aguiar, Fernando Esteves Pinto, Francisco Carrola, Gonçalo Cabaça, Henrique Fialho, Hilda Paz, Hugo Pontes, João Concha, João Pereira de Matos, José Carreiro, Klaus Peter Denker, Luis Ene, Margarida Chambel+Catarina Pombo Nabais, Mário Lisboa Duarte e Frederico Fonseca(Margem d'arte), Mário Calado Pedro, Miguel Clara Vasconcelos, Miguel Jimenez, Mrmito, Maria João Lopes Fernandes, MariaJLFernandes+Alexandre Nave, Raquel Coelho, Rodrigo Miragaia, Rui Costa, Rute Mota, Sara Franco, Sara Monteiro, Sara Rocio, Sofia Cavalheiro, Virgílio Vieira Tebas, Vitor Vicente.

O ELOGIO DA MÁSCARA

Eis como com o gume bem afiado
Faço de ti um cadáver esquisito
Desfazendo-te alma e corpo
Nos pedaços do corpo (morto)
Componho um tratado
Anatomopoéticosexual
Na alma toda (ainda quente)
Busco a Imagem
Que lá tens de mim
E mando-a emoldurar

Mário Lisboa Duarte


Escultura poética por Alexandra de Pinho

Sapateiro

Expressão visual por Frederico Fonseca

do lado de dentro é escuro
não passes, não quero assustar-te,
e o barulho do martelo sobre a pele
já morta
a moldar o lugar dos ossos
à ferramenta de caminhar.

do lado de dentro é escuro
e quem mais poderia assim viver
sem deixar que o peso do martelo caia
inteiro
fragmentando o que era pensamento
ao jeito de encaixar no mundo.

novembro 03, 2007

outubro 30, 2007

HORAS ESVENTRADAS


expressão visual por Margem d'Arte

É nas horas esventradas
Que recordo com saudade
Os agoras desmembrados

Mário Lisboa Duarte

CORRENTE

1. Pegue no livro mais próximo, com mais de 161 páginas – implica aleatoriedade, não tente escolher o livro;
2. Abra o livro na página 161;
3. Na referida página procurar a 5.ª frase completa;
4. Transcreva na íntegra para o seu blogue a frase encontrada;
5. Aumentar, de forma exponencial, a improdutividade, fazendo passar o desafio a mais 5 bloggers à escolha.


«por tudo isto baby

isto não passa de uma coisa que passa
tudo isto não passa de uma coisa que
passa.»

«cola-cola song», Obra Quase Incompleta, Alberto Pimenta, Fenda, 1990.


Da Rute. Passo ao Paulo Ferreira, à Alice Valente, ao Gonçalo Veiga, ao Magnus e ao valter.

Mário Lisboa Duarte


expressão visual por Frederico Fonseca

outubro 25, 2007

outubro 23, 2007

OCASIÃO


expressão visual por Frederico Fonseca

Ultimamente
guardo pessoas como ficheiros
Mesmo aquelas último modelo
Que podem fazer a diferença
Vão passando no ecran mágico
Em zapping e contrazapping
Numa sucessão de factos irrelevantes
E de botões expresso pendentes
Na medida e no motivo que me são

No registo de verdades ocasionais
Com capacidade limitada
Sucedem-se títulos armazenados
Rostos mnemónicos, sem rosto
Na inevitabilidade da substituição

- Em Novembro
Tudo se torna mais morto
E no dia de finados
Apagarei toda uma geração
Definitivamente -

Entes que se identificam
Por identidades comuns
Na total apreensão de todo o mundo
Salvam e ressalvam versões de si próprios
Gerando ignóbeis ficheiros compactados
Portáteis, descartáveis, dia-a-dia após dia

Unidades, não as há, nunca as houve
E na urgência da informação
Com os anos-luz cada vez menos luz
Com o peso das rodas dentadas e do pó das estrelas
Dizem que se vão sucedendo
Procriando, de preferência
Nos Domingos e Feriados
Objectos aos milhões


Mário Lisboa Duarte