maio 12, 2008

Minguante nº 10



PRESCRIÇÃO

(Repita tudo
Ao acordar
Outra vez
Respire bem fundo rodopiando no seu próprio engenho. Sentirá todo um mundo novo. Ficará surpreso, a princípio. Extasiado.
Depois)

– O problema são os passos, sempre os passos.
Quando tudo recomeça, redesenhando-se na regurgitação febril dos passos na chuva. Vomitar no passo largo os rostos enlameados. Ganhar algum tempo perdendo algum espaço – (im) passe –

(Repita de novo. Outra e outra vez.
Duas tomas diárias.
Num quarto de água.
Ao deitar)

Mário Lisboa Duarte

Aqui

maio 04, 2008

DA DOR DE SER


Expressão visual por Frederico Fonseca

O peso da máscara
sufocante
Sôfrega de ser luz
Na bruma

Palavroclastia por Mário Lisboa Duarte

abril 10, 2008

Big Ode#4 - Coimbra

março 23, 2008

Debaixo do Bulcão poezine 32


TODOS

Todos os meus dias são
Imitação consecutivamente repetitiva de
Todos os meus dias
São imitação repetitivamente consecutiva
De todos os meus dias são
Imitação redundantemente cíclica
De todos os meus dias são imitação
Ciclicamente redundante de
Todos os meus dias são

Mário Lisboa Duarte


Debaixo do Bulcão poezine
Número 32 - Almada, Março 2008

março 13, 2008

Equilibrismo




A diva da ópera
Canta mas não encanta
A puta do Ópera
Não canta mas encanta
Eu
Não canto nem encanto
E frequentemente
Penso nas duas
Para me sentir como um todo
Resplandescendo
Perfeição

Mário Lisboa Duarte


Expressões visuais por Frederico Fonseca

fevereiro 29, 2008

Insanotopia

Um novo espaço, a não perder.

Insanotopia, por Daniel Sousa

fevereiro 25, 2008

DAS IMAGENS PREMATURAS



Emprenhei a minha musa
De imagens trigémeas
Coladas com a cera
Dos ouvidos de um penitente:
- Um pássaro desasado
Emaranhando-se nos cabelos
De uma floresta virgem –
- Um cavalo tecendo
Novelos de crina
No riacho de um regaço –
- Uma hiena fumando
Cachimbo e rindo entredentes
Nos gritos de uma selva diurna –
As três corroendo-lhe o ventre
Na urgência da luz prematura

Assim se vão esvaindo entrepernas
Todas as musas que me abrigam:
Em poças de líquido semiótico
Destes textos pretextos
Não mais que meras
marquesas abortadeiras

Palavroclastia por Mário Lisboa Duarte


Imagens prematuras por Frederico Fonseca

janeiro 26, 2008

SANITORIUM


Pintura por Frederico Fonseca

Imaginem o que escrevo
Como sempre comparável
A uma sanita alemã último modelo
Com a pequena base de loiça
A servir de praia à beira-mar
(Em tudo diferentes do modelo americano
Com grandes lagos e nada de praias)
De modo a poder contemplar
A minha própria merda
Antes que se parta
Com as ondas

Mário Lisboa Duarte

dezembro 17, 2007

TRATADO DOS 5 ELEMENTOS

Mergulho a terra
Celebrando o eterno enterro
Dos pássaros de fogo
Que trago no peito
Remexo o mar
Na urgência das palavras
Rebuscando a terra terna
Do rio que guardas no ventre

Mário Lisboa Duarte



Alexandra de Pinho -Omphaloskepsis V
Tecidos, desenhos e resina de poliéster 55x40 cm

dezembro 13, 2007

POESIA DA ÍRIS



Margem d'Arte

novembro 27, 2007

OROLOGION


Movimento Ascendente por Frederico Fonseca

Quando me carregaste às costas
Na distância entre dois pontos
Atingimos o céu num voo noctívago
Depois crescemos
Diurnos divinos fumando cálculos
A ignorar constantemente
A evidente criança
Que começou na inconstância rectilínea
Que vai de nós para os outros

Mário Lisboa Duarte

(SUB) MISSÃO

Bato na tecla
Ao ritmo de uma imagem por carácter
No passo ora trôpego, ora bruto
Em busca do trauma original
Curvo-me pescando e repuxando
A memória
Atemorizado pela sucessão
De recordações (minhas?)
Que se atiram sobre o abismo
Involuntariamente

Mário Lisboa Duarte

Pintura Rupestre por Frederico Fonseca

novembro 14, 2007

A GRANDE CAVALGADA



Natureza viva por Frederico Fonseca

Na minha cidade
Já não se beija com os olhos
E anda tudo cego
Num frémito rectilíneo

Mário Lisboa Duarte

novembro 07, 2007


Lista de autores Big Ode #3
Alexandra de Pinho, Ana Marin, Ana Marques Silva, Ângelo Mazzuchelli, António Carvalho, Avelino Araújo, Carolina Vasconcelos, Castorp+Alice, César Figueiredo, Clemente Padín, Constança de Almeida Lucas, Fernando Aguiar, Fernando Esteves Pinto, Francisco Carrola, Gonçalo Cabaça, Henrique Fialho, Hilda Paz, Hugo Pontes, João Concha, João Pereira de Matos, José Carreiro, Klaus Peter Denker, Luis Ene, Margarida Chambel+Catarina Pombo Nabais, Mário Lisboa Duarte e Frederico Fonseca(Margem d'arte), Mário Calado Pedro, Miguel Clara Vasconcelos, Miguel Jimenez, Mrmito, Maria João Lopes Fernandes, MariaJLFernandes+Alexandre Nave, Raquel Coelho, Rodrigo Miragaia, Rui Costa, Rute Mota, Sara Franco, Sara Monteiro, Sara Rocio, Sofia Cavalheiro, Virgílio Vieira Tebas, Vitor Vicente.

O ELOGIO DA MÁSCARA

Eis como com o gume bem afiado
Faço de ti um cadáver esquisito
Desfazendo-te alma e corpo
Nos pedaços do corpo (morto)
Componho um tratado
Anatomopoéticosexual
Na alma toda (ainda quente)
Busco a Imagem
Que lá tens de mim
E mando-a emoldurar

Mário Lisboa Duarte


Escultura poética por Alexandra de Pinho

Sapateiro

Expressão visual por Frederico Fonseca

do lado de dentro é escuro
não passes, não quero assustar-te,
e o barulho do martelo sobre a pele
já morta
a moldar o lugar dos ossos
à ferramenta de caminhar.

do lado de dentro é escuro
e quem mais poderia assim viver
sem deixar que o peso do martelo caia
inteiro
fragmentando o que era pensamento
ao jeito de encaixar no mundo.