setembro 21, 2007

CHUVA UBÍQUA


movimento por margem d'arte

Há uma nação de poetas
Do outro lado do mar
Escrevem com a fome na pedra
Que lhes alimenta a alma
Sentindo nos sonhos mais febris
O sabor do açafrão no sangue
E a vida que há de não vir
No chá de bílis vestido a rigor

Há uma nação de poetas
Do outro lado do mundo
Esculpem a palavra madre-pérola
Que lhes dá o brilho baço nos olhos
Rasgando a carne e o pó com as unhas
Gastas de raspar na pedra seca
E o mar que há de ir rugir
Para o outro lado

Líricos?
Somos todos.

Mário Lisboa Duarte

2 comentários:

Tânia Pereira disse...

Há uma nação de poetas em cada ser que se atreva a sentir...e depois? O que fazer? Depois amigos, há que escrever e deixar que nos lavem as entranhas, com letras e pontuação que tanto podem ser nossas como um convite a uma viagem a um outro lado de um mundo.
Gostei muito e fiquei com pena de não ter ido...talvez num próximo encontro...mais sulista?

vértice avulso disse...

fluxos e refluxos da bílis: queima-se o estômago, arde a vesícula, chuva ubíqua em qualquer momento das vísceras de todos, de realmente todos. não nos fiquemos pela bílis, que depois do vómito vem a regenaração.

(e saio de cena com um brinde de chá com boldo e fumária)