dezembro 20, 2006

CADAVRE-EXQUIS II


expressão visual por Frederico Fonseca

Da varanda da ilusão
Onde te pertences
(Aos povos do sal, aos lobos do mar),
Não és mais do que a mera
Representação da inconstância da vida,
Na imensidão do mar
Revolto.
Pensamentos profundos,
Grutas desenhadas pelas aquarelas
Do mar intemporal.
Ondas revoltas
De sal lacrimejante.


Isabel Oliveira
Mário Lisboa Duarte
Cadavre exquis, Cabo Carvoeiro
Junho 2004

dezembro 13, 2006

ESTUDOS PARA REQUIEM EM RÉ MENOR

Sim, sou eu
Só,
No começo paradoxal
Do fim do dia,
Maestro que guia
Concerto encenado
À porta fechada.
Na luz ofuscante
Que os meus olhos
Buscam incessantemente,
Por entre as imagens
Que vêm
Que vão
Que voltam,
Os flashes desmedidos
Dos imensos túneis
Inundados de moral.
Brinco a Morte
Lançando-me lânguido
Para o lado de lá.
Uma vez mais volto.
Uma vez mais me revolto.

Mário Lisboa Duarte


expressão visual por Frederico Fonseca

dezembro 01, 2006

ESPELHO DO PASSADO

Embora ciente
De que um espelho
Será sempre
Reflexo afluente
De fontes rio reminiscência,
Onde outrora mergulhámos,

Pego no passado
E planto-lhe uma pedra,
Estilo tumba ancestral
Renegando uma após outra,
Todas as cósmicas nostalgias
Que um determinado espaço de tempo
Pode conter em si próprio.

Mário Lisboa Duarte



expressão visual por Frederico Fonseca

E DEPOIS


expressão visual por Frederico Fonseca

Desfaço-me em dois
E depois,
Sob o intenso silêncio das noites
Adensa-se a dependência.
"É preciso moral.
É preciso moral!"
Brada-me um velho resto mortal;
"Faça-se luz.
Faça-se luz!"
Lembra-me um pobre carregando uma cruz.
Já é dia.
E depois.
E depois...

Mário Lisboa Duarte